quarta-feira, 26 de outubro de 2016

circusntâncias

Praticamente, em 
toda circunstância
cinzenta.   
Entro em colapso.
Estrago minhas partes
e vômito minhas vísceras. 
Tal fragmentação
é consequente. 
Como de costume, 
                         morro sempre três vezes.                          
Me afogo, 
enfarto,    
e acordo.  

Com o sol nascido,  
procuro refúgios coloridos.
Sem chaves ou ao menos maçanetas,
as mãos ficam 
incessantemente vazias 
e os braços, 
constantemente cheios
de mares, 
roupas, 
    saudades      
e coisas do caminho.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sobre as ondas entre os meus dedos

A onda 
me puxou mar adentro, 
cercando as costas e o pescoço,
sacudindo no balaço de um coração pulsante 
a estrutura textual dos devaneios,
corrompendo em paráfrases
todas as minhas vontades e anseios 

A onda desce em prosa 
Vem e me cobre, me abraça e me gira, 
sob o relento incomum das horas vulgares 
Banhando meus poros com pigmentações ideológicas 
absorvidas em infinitos anteriores, 
como sapos e gafanhotos da vida comum  

Afinal, estava no mar ou com o mar na cabeça ?

No final das contas,
eram ondas 
que tocavam a areia, 
passando salgadas
entre os meus dedos 
Deixando pra trás 
apenas a espuma
e a mim mesmo.