segunda-feira, 25 de julho de 2016

Azul, como azul de sempre.

Ela sempre gostou do mesmo azul que eu...

Mesmo diante de tantas cores e tantos mundos, 
o vermelho da caneta
não se fez valer como as nuvens.
O verde dos gramados
não se mostrou tão potente quanto, 
o céu aberto de uma tarde qualquer.

Entre fugacidades, 
ela sempre esteve aqui depois daquela noite...

Acasos e desfiladeiros de um descontrole 
formado sobre o que é ser contido. 
Sempre sentindo o passado engasgar a garganta, 
para fomentar abraços e desencontros 
entre personificações que mesmo de tão longe, 
olharam para o mesmo azul 
e  estiveram lado a lado.

Em reciprocidade, ela esteve sorrindo sozinha, 
enquanto meus olhos estavam abertos... 









domingo, 24 de julho de 2016

O cheiro de um domingo qualquer.

Eu pensava 
sobre ele, outras coisas 
e sobre formas, 
que me torciam 
a retina, 
até onde as percepções 
poderiam alcançar.
                           
Sobretudo...

Era tudo distância. 

Definitivamente
mundos distintos.    
Enquanto eu, 
estava no banco de trás 
do carro.
Ele, estava nas profundezas 
do inferno.
Entre nós, 
o abraço do planeta 
não passava
de estofado e lataria. 
Baseado em um 
dia fresco, 
com cheiro e vento 
de asfalto quente.
Estávamos atolados 
em suposições inócuas,
tão vivos quanto 
o sol sangrento de domingo.
Apesar, de não acontecer 
absolutamente nada
entre os universos 
e condimentos daquela 
tarde ácida.


sábado, 9 de julho de 2016

As ruas e os erros

Nas ruas, 
nas cidades. 
Por hora, 
sem ter tempo, 
os acontecimentos 
mudam de forma. 
Sobre abstrações sentimentais, 
os corpos trocam de pele 
e na empiria constipada, 
queimam  com o sol 
em casas diferentes, 
moram nos murmúrios dolorosos 
em que se fábrica a carne, 
onde se envelhece o espírito, 
formativas auto reflexões 
apropriadas a individual assombração. 

Tudo feito proclamação 
de juventude podre. 
Já que no final, 
não existe reconhecimento, 
não tem mais nada. 
Sem categorias, 
sem motivos. 
Uma incessante corrida fúnebre, 
no Jogo de erros convergentes. 
Não existe mais ninguém, 
não existe mais aqui. 
São apenas manhãs 
e madrugadas 
de vidas 
e sobrevidas.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

O último dia da semana inteira

   Irresponsavelmente, estive morto na última sexta feira... 

   Eram mais de duas da madrugada em um dia perdido pra mim, estava bebendo sem ter um por que.(Me preocupa estar fazendo isso com frequência)
O relógio não parava de rodar entre as duas e as três da manhã até que a banda subia ao palco, eram 5 integrantes que subiam lentamente com seus instrumentos e suas e suas caixas. Olhavam pra gente, acenavam e sorriam. 
  Me toquei do início do show, assim veio toda a minha busca por perdição, andei ligeiro até o banheiro, parei na frente da pia e rapidamente enfiei a mão no bolso, quando mais do que de repente apareceu um cara, olhou bem fundo nos meus olhos, ficou me encarando durante um tempo e quando ninguém mais se encontrava no banheiro ele amordaçou minha língua com um quadrado colorido. As coisas começaram a se transformar de uma hora pra outra. Então entre os espasmos de pecado, percebi que fui drogado pelo rapaz. 
    Em flashs, me lembro que ele parecia estar faminto mas não 
tinha vontade de comer, bebia como eu estava a beber aquela noite, esperando o show tanto quanto os músicos.
   Trepidando na saída do banheiro fui abordado por ele de novo que olhou pra mim e disse que estava indo embora. Porém, antes de ir, começou a me contar onde arranjou aquelas estrelas em punhado. Disse que não era dali, e que se sentia sozinho de tempos em tempos, ficava triste por deitar e acordar calado. Ele não parava de falar sobre os seus problemas e de como eram pesados, mas ao mesmo tempo, insignificantes... Por fim, instigou-me, dizendo que foi drogado por outro rapaz, mais cedo naquela mesma noite. Disse que esse precursor da insanidade noturna, lhe contou a história dos medos particulares, enquanto o drogava, algo sobre seu cansaço, coisas mentirosas de si, que se sentia triste por não poder ser ou viver com sua sombra. Esse sujeito, enfim exausto dessas mentiras, cuidou de vasculhar cada canto de seu abrigo atrás de coisas que lhe faziam voar, colocando nos bolsos da calça os ácidos, canetas de tinta gasta e pesos dos dias que se passam.
   Antes da memória se apagar por total, me lembro do rapaz esfomeado me dizer que exatamente naquela noite, o cara retirou tudo dos bolsos e sem muito prazer, distribuiu os relaxantes aos que procuravam, ou pareciam precisar de uma noite profunda, olhou nos olhos de cada um e lhes deu um tempo único... Um tempo de auto gestão.

   Assim apaguei e me auto geri, como o primeiro a ser assombrado pela própria sombra.