quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Continuamente Querendo


Eu sinto que quero pra sempre 
os floresceres desse sentimento crescente
Sinto que quero abraçar 
o encanto de rir para os mais tristes dos dias 
Aguardo que independente de tudo 
as possibilidades se deitem 
sobre as minhas motivações
encontrando espontâneos diálogos
 expressos nos mais bonitos gestos 

Eu quis 
Eu quero

Mesmo sabendo o quão dura e áspera
pode ser a tritura do desencontro
em adequações distintas

Espero que por muito tempo
ainda seja querido

Componente flanqueado 
a espera da divisão de prazer
que se posiciona como afeto
englobando as vontades
de me preencher com tudo 
que as situações tem a me dar 



"Me conta de maneira nublada o que está acontecendo 
e acaba por me remeter a sonoridade de Tame Impala"

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

circusntâncias

Praticamente, em 
toda circunstância
cinzenta.   
Entro em colapso.
Estrago minhas partes
e vômito minhas vísceras. 
Tal fragmentação
é consequente. 
Como de costume, 
                         morro sempre três vezes.                          
Me afogo, 
enfarto,    
e acordo.  

Com o sol nascido,  
procuro refúgios coloridos.
Sem chaves ou ao menos maçanetas,
as mãos ficam 
incessantemente vazias 
e os braços, 
constantemente cheios
de mares, 
roupas, 
    saudades      
e coisas do caminho.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sobre as ondas entre os meus dedos

A onda 
me puxou mar adentro, 
cercando as costas e o pescoço,
sacudindo no balaço de um coração pulsante 
a estrutura textual dos devaneios,
corrompendo em paráfrases
todas as minhas vontades e anseios 

A onda desce em prosa 
Vem e me cobre, me abraça e me gira, 
sob o relento incomum das horas vulgares 
Banhando meus poros com pigmentações ideológicas 
absorvidas em infinitos anteriores, 
como sapos e gafanhotos da vida comum  

Afinal, estava no mar ou com o mar na cabeça ?

No final das contas,
eram ondas 
que tocavam a areia, 
passando salgadas
entre os meus dedos 
Deixando pra trás 
apenas a espuma
e a mim mesmo.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

São sobre flores

Flores que pousam e repousam 

Flores que assopram pétalas nas dores dos camaleões

Flores que saem da minha caneta e dos meus ouvidos 

Flores é o que vejo jorrar dos olhos do mundo 

Flores que são lindas e não duram pra sempre

Flores que me aquecem enquanto as guardo o tempo que puder

São flores, 
mas podiam ser nomes, beijos, ou abraços
Acolhidos e recheados até a última letra, 
com cores ainda não pintadas florescendo no batimento das folhas 

Folhas e flores, 
como a representação mais intensa da vontade de estar por perto

domingo, 11 de setembro de 2016

Nem tudo é tão lixo, quando feito em palavras

A medida que se consome
o mundo doente e frágil, 
o corpo cai em si 
e chega ao 
plano baixo.
Límpido, puro e repleto de: 
Flores...
Drogas...
Olhos...
Tijolos...
...

Emaranhados construídos
                     de forma coisificada,                      
a partir da realidade
                     mais fajuta.                     
 Onde coisas e cores 
permitem-se palpáveis, 
dançando no cotidiano líquido
do desocupado 
    linguista do acaso,  
esquecido
em seu
português de ralo. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"The Passanger" e a falacia do pensamento impróprio

     A alguns dias atrás fui pego de surpresa, em um dia comum, estava tudo bem normal e ridículo como de costume. Acordei com uma forte dor de cabeça, mesmo assim levantei, tomei café frio e escovei os dentes olhando para o idiota do reflexo.
     Me puis a escrever para um trabalho do mundo acadêmico, o interminável academicismo, com cara de frustração mútua. Fiquei ali sem almoçar e me sentindo um nada que escrevia história frouxa. E escrevia bastante, bastante asneira, cheia de subjetividade e coisas que saem de mim para serem julgadas por outro ser e suas coisas. Redigi sobre um mundo diferente e seus embaralhos num contexto pós moderno que não se encaixa em nada, e assim ninguém se encaixa nele também. "Pós-modernismo não é o que você pensa" um apanhado de conclusões sobre os precipícios sociais, algo sufocante para as intempéries do que é, e o que não é real, e reflexivo para um adentro social da vida de um desajustado que não entende o corpo.
   Escrevendo e pausando por pausar, fui coagulando questionamentos: Bem, talvez eu seja pós-moderno? Ou talvez eu seja moderno? Ou quem sabe eu não seja nada? Nem pensava muito sobre minhas concepções na sociedade, eu estava preocupado com alguns problemas que perturbam todos. Como os engajamentos de uma vida cotidiana nas cidades do interior paulista, aceitação inócua de capacitações temporais, ultrapassagem de conturbações sobre complicações juvenis, não cair ao atravessar a rua... Esse tipo de coisa.
      Assim eu escrevi até me cansar, mas sem conseguir chegar a um fim. Entregaria o trabalho mesmo assim.
    Arrumei a mochila, com indiferença e sempre com aquela sensação de estar esquecendo algo. Tomei um banho torto de tanto não estar embaixo d'Água. Esperei alguns minutos até tomar o ônibus. Me sentei sem pressa, colocando minha mochila entre as pernas debaixo da poltrona, então comecei a ouvir as musicas que separo na biblioteca do meu celular. me perdi no assento, no amontoado de sono e notas musicais. Joy Division; Raul Seixas. Enfim o ônibus chegou até a faculdade. Gal Costa; Os Mutantes; The Smiths. Sai da condução como se não tivesse estado lá. Jimi Hendrix; Gilberto Gil; Television. Caminhei até o portão e entrei na faculdade, desci a rampa, e andei até as escadas que dão de frente a sala de aula. Titãs; Howlin' Wolf; Pixies. Ao entrar na sala dei de cara com as pessoas que já via desde o começo desse ciclo acadêmico, nada de diferente, semanas e meses de igualdade, vestidos de diferentes formas, ouvindo diferentes musicas, conversando sobre coisas que mudam e etc... Me sentei no fundo como de costume sem tirar o fone de ouvido. Estava ali parado olhado pra mim, quando começou a tocar um som peculiar de um agente musical peculiar, era então a música "The Passenger", uma música que tem tudo mesmo sem complexa, e que naquele momento se maximizou. A bateria rítmica, o baixo sobreposto e guitarra em composição base, gritavam na minha cabeça pra que eu retornasse a pensar nos valores do indivíduo pós moderno, não tive noção do que estava acontecendo, fui esfaqueado pela canção e realmente (metaforicamente), cai em um poço, um verdadeiro buraco de onde a geração da qual fui parido me afogou, consagrando minha fragilidade pelas mãos formosas de Iggy Pop. Todos ali naquela sala eram "iggy pops" a sua maneira, fazendo seus respectivos afazeres, juntos no mesmo ambiente. Uns dormindo, outros comendo, outros existindo. Eu estava lá também, pensando em coisas grandes e pequenas, vendo fogo queimar o quadro negro na fluidez dos burburinhos em classe ouvindo na música de exatos 4:44 minutos um verdadeiro gotejo de desorientação. Isso de longe foi a melhor face da pós-modernidade em toda minha auto, micro e macro, rasa reflexão, tudo desenhado no meu comportamento desligado. Talvez ali eu fosse o mais pós-moderno, ou talvez o menos, ou quem sabe não fosse nada.
    Desse "questionamento" veio minha surpresa. Tudo aquilo já foi dito e já foi feito, tudo aquilo era transição, fixação e apropriação temporal histórica, famigeradas discussões que transcendem a existência, mas que no fim, discursam sobre aglomerações de um conhecimento que se consolida pelo simpósio de um todo de captação metafisica na liquidez do sentimento de ser e estar entre o individual e o coletivo... Me perdi nessa loucura, composta pela audição de uma faixa simples do disco "Lust For Life" e  também, não menos "importante", na leitura superficial de um livro que nunca me interessou.  



sábado, 20 de agosto de 2016

Marcador de efeito, afeto

Hoje eu a revi
Entre luzes e vozes, 
Eu a vi
Entre saudades e copos,
Eu a revi 
Foram cílios e bocas 
De vindas e voltas
Na madrugada corriqueira 

Afogando-se no barulho
Sem exatidão,
Lhe dei a mão
E logo lhe dei o braço 
O que estava dentro do seu abraço, 
Compensava o dia que ficou
E toda aquela antemanhã simples 
Se possuía em exuberância 
Deixando de lado o cotidiano chato 
de uma sexta ou um sábado 
do calendário semestral.



Foi escrito aquele dia...