quarta-feira, 26 de outubro de 2016

circusntâncias

Praticamente, em 
toda circunstância
cinzenta.   
Entro em colapso.
Estrago minhas partes
e vômito minhas vísceras. 
Tal fragmentação
é consequente. 
Como de costume, 
                         morro sempre três vezes.                          
Me afogo, 
enfarto,    
e acordo.  

Com o sol nascido,  
procuro refúgios coloridos.
Sem chaves ou ao menos maçanetas,
as mãos ficam 
incessantemente vazias 
e os braços, 
constantemente cheios
de mares, 
roupas, 
    saudades      
e coisas do caminho.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sobre as ondas entre os meus dedos

A onda 
me puxou mar adentro, 
cercando as costas e o pescoço,
sacudindo no balaço de um coração pulsante 
a estrutura textual dos devaneios,
corrompendo em paráfrases
todas as minhas vontades e anseios 

A onda desce em prosa 
Vem e me cobre, me abraça e me gira, 
sob o relento incomum das horas vulgares 
Banhando meus poros com pigmentações ideológicas 
absorvidas em infinitos anteriores, 
como sapos e gafanhotos da vida comum  

Afinal, estava no mar ou com o mar na cabeça ?

No final das contas,
eram ondas 
que tocavam a areia, 
passando salgadas
entre os meus dedos 
Deixando pra trás 
apenas a espuma
e a mim mesmo.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

São sobre flores

Flores que pousam e repousam 

Flores que assopram pétalas nas dores dos camaleões

Flores que saem da minha caneta e dos meus ouvidos 

Flores é o que vejo jorrar dos olhos do mundo 

Flores que são lindas e não duram pra sempre

Flores que me aquecem enquanto as guardo o tempo que puder

São flores, 
mas podiam ser nomes, beijos, ou abraços
Acolhidos e recheados até a última letra, 
com cores ainda não pintadas florescendo no batimento das folhas 

Folhas e flores, 
como a representação mais intensa da vontade de estar por perto

domingo, 11 de setembro de 2016

Nem tudo é tão lixo, quando feito em palavras

A medida que se consome
o mundo doente e frágil, 
o corpo cai em si 
e chega ao 
plano baixo.
Límpido, puro e repleto de: 
Flores...
Drogas...
Olhos...
Tijolos...
...

Emaranhados construídos
                     de forma coisificada,                      
a partir da realidade
                     mais fajuta.                     
 Onde coisas e cores 
permitem-se palpáveis, 
dançando no cotidiano líquido
do desocupado 
    linguista do acaso,  
esquecido
em seu
português de ralo. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"The Passanger" e a falacia do pensamento impróprio

     A alguns dias atrás fui pego de surpresa, em um dia comum, estava tudo bem normal e ridículo como de costume. Acordei com uma forte dor de cabeça, mesmo assim levantei, tomei café frio e escovei os dentes olhando para o idiota do reflexo.
     Me puis a escrever para um trabalho do mundo acadêmico, o interminável academicismo, com cara de frustração mútua. Fiquei ali sem almoçar e me sentindo um nada que escrevia história frouxa. E escrevia bastante, bastante asneira, cheia de subjetividade e coisas que saem de mim para serem julgadas por outro ser e suas coisas. Redigi sobre um mundo diferente e seus embaralhos num contexto pós moderno que não se encaixa em nada, e assim ninguém se encaixa nele também. "Pós-modernismo não é o que você pensa" um apanhado de conclusões sobre os precipícios sociais, algo sufocante para as intempéries do que é, e o que não é real, e reflexivo para um adentro social da vida de um desajustado que não entende o corpo.
   Escrevendo e pausando por pausar, fui coagulando questionamentos: Bem, talvez eu seja pós-moderno? Ou talvez eu seja moderno? Ou quem sabe eu não seja nada? Nem pensava muito sobre minhas concepções na sociedade, eu estava preocupado com alguns problemas que perturbam todos. Como os engajamentos de uma vida cotidiana nas cidades do interior paulista, aceitação inócua de capacitações temporais, ultrapassagem de conturbações sobre complicações juvenis, não cair ao atravessar a rua... Esse tipo de coisa.
      Assim eu escrevi até me cansar, mas sem conseguir chegar a um fim. Entregaria o trabalho mesmo assim.
    Arrumei a mochila, com indiferença e sempre com aquela sensação de estar esquecendo algo. Tomei um banho torto de tanto não estar embaixo d'Água. Esperei alguns minutos até tomar o ônibus. Me sentei sem pressa, colocando minha mochila entre as pernas debaixo da poltrona, então comecei a ouvir as musicas que separo na biblioteca do meu celular. me perdi no assento, no amontoado de sono e notas musicais. Joy Division; Raul Seixas. Enfim o ônibus chegou até a faculdade. Gal Costa; Os Mutantes; The Smiths. Sai da condução como se não tivesse estado lá. Jimi Hendrix; Gilberto Gil; Television. Caminhei até o portão e entrei na faculdade, desci a rampa, e andei até as escadas que dão de frente a sala de aula. Titãs; Howlin' Wolf; Pixies. Ao entrar na sala dei de cara com as pessoas que já via desde o começo desse ciclo acadêmico, nada de diferente, semanas e meses de igualdade, vestidos de diferentes formas, ouvindo diferentes musicas, conversando sobre coisas que mudam e etc... Me sentei no fundo como de costume sem tirar o fone de ouvido. Estava ali parado olhado pra mim, quando começou a tocar um som peculiar de um agente musical peculiar, era então a música "The Passenger", uma música que tem tudo mesmo sem complexa, e que naquele momento se maximizou. A bateria rítmica, o baixo sobreposto e guitarra em composição base, gritavam na minha cabeça pra que eu retornasse a pensar nos valores do indivíduo pós moderno, não tive noção do que estava acontecendo, fui esfaqueado pela canção e realmente (metaforicamente), cai em um poço, um verdadeiro buraco de onde a geração da qual fui parido me afogou, consagrando minha fragilidade pelas mãos formosas de Iggy Pop. Todos ali naquela sala eram "iggy pops" a sua maneira, fazendo seus respectivos afazeres, juntos no mesmo ambiente. Uns dormindo, outros comendo, outros existindo. Eu estava lá também, pensando em coisas grandes e pequenas, vendo fogo queimar o quadro negro na fluidez dos burburinhos em classe ouvindo na música de exatos 4:44 minutos um verdadeiro gotejo de desorientação. Isso de longe foi a melhor face da pós-modernidade em toda minha auto, micro e macro, rasa reflexão, tudo desenhado no meu comportamento desligado. Talvez ali eu fosse o mais pós-moderno, ou talvez o menos, ou quem sabe não fosse nada.
    Desse "questionamento" veio minha surpresa. Tudo aquilo já foi dito e já foi feito, tudo aquilo era transição, fixação e apropriação temporal histórica, famigeradas discussões que transcendem a existência, mas que no fim, discursam sobre aglomerações de um conhecimento que se consolida pelo simpósio de um todo de captação metafisica na liquidez do sentimento de ser e estar entre o individual e o coletivo... Me perdi nessa loucura, composta pela audição de uma faixa simples do disco "Lust For Life" e  também, não menos "importante", na leitura superficial de um livro que nunca me interessou.  



sábado, 20 de agosto de 2016

Marcador de efeito, afeto

Hoje eu a revi
Entre luzes e vozes, 
Eu a vi
Entre saudades e copos,
Eu a revi 
Foram cílios e bocas 
De vindas e voltas
Na madrugada corriqueira 

Afogando-se no barulho
Sem exatidão,
Lhe dei a mão
E logo lhe dei o braço 
O que estava dentro do seu abraço, 
Compensava o dia que ficou
E toda aquela antemanhã simples 
Se possuía em exuberância 
Deixando de lado o cotidiano chato 
de uma sexta ou um sábado 
do calendário semestral.



Foi escrito aquele dia...  

sábado, 13 de agosto de 2016

Garotas como estrelas

Duas pessoas se olham. 
Se procuram e se encontram,
fogem desse mundo,  
ficam em paralelo. 
Paralelo a essa terra de desgosto, 
onde pessoas se olham 
e não se enxergam.
Se esbarram, e não sentem.
Imunes uns aos outros 
Se repelem.
Sob conjugação galática 
duas luzes brilham como estrelas,
que se olham e se encontram.
Duas almas, 
duas pessoas, 
duas garotas, 
se procuram e se beijam,
solitárias. 
No êxtase pungente, 
de um mundo paralelo. 


"Estranho é gostar tanto do seu All Star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri, quando chego ali..."

Nando Reis
Cássia Eller 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Azul, como azul de sempre.

Ela sempre gostou do mesmo azul que eu...

Mesmo diante de tantas cores e tantos mundos, 
o vermelho da caneta
não se fez valer como as nuvens.
O verde dos gramados
não se mostrou tão potente quanto, 
o céu aberto de uma tarde qualquer.

Entre fugacidades, 
ela sempre esteve aqui depois daquela noite...

Acasos e desfiladeiros de um descontrole 
formado sobre o que é ser contido. 
Sempre sentindo o passado engasgar a garganta, 
para fomentar abraços e desencontros 
entre personificações que mesmo de tão longe, 
olharam para o mesmo azul 
e  estiveram lado a lado.

Em reciprocidade, ela esteve sorrindo sozinha, 
enquanto meus olhos estavam abertos... 









domingo, 24 de julho de 2016

O cheiro de um domingo qualquer.

Eu pensava 
sobre ele, outras coisas 
e sobre formas, 
que me torciam 
a retina, 
até onde as percepções 
poderiam alcançar.
                           
Sobretudo...

Era tudo distância. 

Definitivamente
mundos distintos.    
Enquanto eu, 
estava no banco de trás 
do carro.
Ele, estava nas profundezas 
do inferno.
Entre nós, 
o abraço do planeta 
não passava
de estofado e lataria. 
Baseado em um 
dia fresco, 
com cheiro e vento 
de asfalto quente.
Estávamos atolados 
em suposições inócuas,
tão vivos quanto 
o sol sangrento de domingo.
Apesar, de não acontecer 
absolutamente nada
entre os universos 
e condimentos daquela 
tarde ácida.


sábado, 9 de julho de 2016

As ruas e os erros

Nas ruas, 
nas cidades. 
Por hora, 
sem ter tempo, 
os acontecimentos 
mudam de forma. 
Sobre abstrações sentimentais, 
os corpos trocam de pele 
e na empiria constipada, 
queimam  com o sol 
em casas diferentes, 
moram nos murmúrios dolorosos 
em que se fábrica a carne, 
onde se envelhece o espírito, 
formativas auto reflexões 
apropriadas a individual assombração. 

Tudo feito proclamação 
de juventude podre. 
Já que no final, 
não existe reconhecimento, 
não tem mais nada. 
Sem categorias, 
sem motivos. 
Uma incessante corrida fúnebre, 
no Jogo de erros convergentes. 
Não existe mais ninguém, 
não existe mais aqui. 
São apenas manhãs 
e madrugadas 
de vidas 
e sobrevidas.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

O último dia da semana inteira

   Irresponsavelmente, estive morto na última sexta feira... 

   Eram mais de duas da madrugada em um dia perdido pra mim, estava bebendo sem ter um por que.(Me preocupa estar fazendo isso com frequência)
O relógio não parava de rodar entre as duas e as três da manhã até que a banda subia ao palco, eram 5 integrantes que subiam lentamente com seus instrumentos e suas e suas caixas. Olhavam pra gente, acenavam e sorriam. 
  Me toquei do início do show, assim veio toda a minha busca por perdição, andei ligeiro até o banheiro, parei na frente da pia e rapidamente enfiei a mão no bolso, quando mais do que de repente apareceu um cara, olhou bem fundo nos meus olhos, ficou me encarando durante um tempo e quando ninguém mais se encontrava no banheiro ele amordaçou minha língua com um quadrado colorido. As coisas começaram a se transformar de uma hora pra outra. Então entre os espasmos de pecado, percebi que fui drogado pelo rapaz. 
    Em flashs, me lembro que ele parecia estar faminto mas não 
tinha vontade de comer, bebia como eu estava a beber aquela noite, esperando o show tanto quanto os músicos.
   Trepidando na saída do banheiro fui abordado por ele de novo que olhou pra mim e disse que estava indo embora. Porém, antes de ir, começou a me contar onde arranjou aquelas estrelas em punhado. Disse que não era dali, e que se sentia sozinho de tempos em tempos, ficava triste por deitar e acordar calado. Ele não parava de falar sobre os seus problemas e de como eram pesados, mas ao mesmo tempo, insignificantes... Por fim, instigou-me, dizendo que foi drogado por outro rapaz, mais cedo naquela mesma noite. Disse que esse precursor da insanidade noturna, lhe contou a história dos medos particulares, enquanto o drogava, algo sobre seu cansaço, coisas mentirosas de si, que se sentia triste por não poder ser ou viver com sua sombra. Esse sujeito, enfim exausto dessas mentiras, cuidou de vasculhar cada canto de seu abrigo atrás de coisas que lhe faziam voar, colocando nos bolsos da calça os ácidos, canetas de tinta gasta e pesos dos dias que se passam.
   Antes da memória se apagar por total, me lembro do rapaz esfomeado me dizer que exatamente naquela noite, o cara retirou tudo dos bolsos e sem muito prazer, distribuiu os relaxantes aos que procuravam, ou pareciam precisar de uma noite profunda, olhou nos olhos de cada um e lhes deu um tempo único... Um tempo de auto gestão.

   Assim apaguei e me auto geri, como o primeiro a ser assombrado pela própria sombra.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mais quente que o sol

Abaixo da nuvem cinza. 
Acima da grama verde. 
Estirada em suas proporções. 
Banhada, pelo calor do sol escondido. 

A parte mais viva, 
de um sonho.
Tão viva, 
que me põe a escrever, 
o fascínio de sua descrição.

Mais verde que a grama. 
Mais cinza que a nuvem. 
Mais quente que o sol.
Flutuante em meus pensamentos.


sábado, 25 de junho de 2016

Há sempre sobras, sobre pele

Há mais de ti
na minha 
pele.
Sempre
pálida, 
lírica 
e sórdida. 
vai de pelo 
a derme seca,
tateando
sobre a crosta 
amarga, 
que ainda assim,
se encontra 
quente e fresca.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Caminhadas e afazeres

   À luz está apagada mas mesmo assim enxergo todo o meu quarto, que anda sujo e mal aproveitado. Tem cadernos, livros e folhas no chão, dois copos semi vazios ao lado da janela, uma toalha pendurada na vidraça e roupas espalhadas ao redor da cama.
  Não durmo muito bem a alguns dias, sinto que meu corpo não vai aguentar, cedendo a complicações e resfriados.
  Com dores de cabeça me levanto e vou me esgueirando até porta, tateando as coisas que tropeço. Quero água e noto que esqueci o copo, volto e então me aproximo da cama me apoiando nela, abaixo a coluna dolorida de jovem, pego o copo e volto a me direcionar para a cozinha.
   Caminhando descalço pelo apartamento sinto o chão gelado, os pelos em arrepios e as enchaquecas fora de hora. Tudo que me contorna de forma unica as paredes brancas, as dobradiças da porta do banheiro tudo me acerta.  
   Chego na cozinha despejo o pouco de água que havia no copo e o encho novamente, a torneira está molhada e as dores de garganta me cercam de novo. Assim, enquanto bebo da água, percebo que amanhã terei de me reconstruir.
   Parado na cozinha, apoio meu corpo sobre a pia e me disperso, fico pendurado entre o estar e o não estar. Em outro mundo, começo a ouvir de tudo, como se tivesse assistindo sem ver... Os cachorros latem uns para os outros na rua, na esquina o motociclista buzina para alertar que está passando pelo sinal vermelho e o taxista no acostamento bate à porta do carro. Eu os escuto densamente, enquanto bebo do copo d'água.
  Com o copo na mão, caminho de novo para o quarto, com as mesmas enchaquecas e pelos arrepiados, observo a luz do corredor que está quente e acesa, chego na entrada do quarto e percebo olhando a porta semi aberta, que onde me deitava na cama, não caibo mais. 
  De bruços suas pernas se encontram sobrepostas umas as outras, um dos braços à beirada do colchão, envolto pelo lençol que cobre a parte inferior da costas. Estava à tomar o meu lugar e eu nada ouso fazer. 
   Deixo a porta aberta para enxergar melhor o quarto e caminho até o lado direito da cama. Me sento no chão em cima de uma blusa de frio, dobrando as pernas e me recostando na parede. 
   Então, me perco de novo, me penduro entre o ser e o não ser. Me desligo e não ouço nada que não fosse daquele quarto. Ouço o vento passando pela janela, o som do computador carregando, o barulho da cama, enquanto ela se mexe. 
   Nada me escapa.
   Dela, nada escapou... Peguei de tudo, a respiração, o som dos braços ao se roçarem... Consegui até ouvir seu coração, enquanto ela caminha para onde eu não consigo alcançar. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Aquela noite

Naquela noite,
o trovão, mexeu com a minha cabeça. 
A chuva não passava, 
as gotas d'água, esmuravam a janela.
O som dos carros, me atormentava. 

A quilômetros de distância, 
os passos 
me seguiam. 
Em pouco tempo, 
fui de homem a gelatina.

Naquela noite, 
você não estava lá.
Naquela noite, 
  ninguém podia fazer nada. 
Naquela noite, 
meu coração descansava, 
o chão era gelado     
e a dor simplesmente
                   não passava                       

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Poderes potenciais

O universo seu, lhe foi destituído assim.
Até que a luz se apague o corpo dança
em formigamentos 
esperando meu estrago.
O vazio gera o cheio
e tudo se torna enorme.
As cores sangram aquarelas selvagens. 
O frio na barriga se distorce aos olhos dopados
que serpenteia sobre as frequências da física corporal,
pulverizando todo o orgasmo potencial. 

Sabe o que está acontecendo..?

Sei que estou com você agora.

A noite comporta os seres
soltos e largados nas imensidões
do alvorecer perdido.
Sentindo, tossindo e gemendo 
no oceano de vidas frágeis 
em que mergulham os desnaturados. 
Beleza nua a crua
sobre carne e estrelas.
O arco-íris se desfaz...

O que está pensando ?

Acho, que de alguma forma te sinto...

A madrugada se fecha e o sono 
comporta os sonhos e as faíscas de um dia comum.

Garota de Ouro

Ela nasceu 
do ventre da solidão. 
Todos sentem 
o que ela sente.
O frio e o calor. 
O ódio e o amor. 
Sua sede deformava a informalidade...
Os sentimentos 
formados de sobras,
alma pesada 
em contato com a sombra, 
saliva ardente 
como a água do mar. 
Coração imprevisível,
belo e incomparável. 
Ela, 
incandescente garota de fogo. 
A amada, 
intocável menina de ouro.

O céu e a arvore do mês de maio

Maio, feito o marco de um dia dissimulado qualquer. 
Friccionado entre flores e desamores 
de uma tarde que já não era dia.
O sol descia, o  mundo girava e os filhos dos filhos caiam desolados, 
portando entre si os olhos que deslumbravam 
as cores tristes e  a árvore fixa.
No tempo uns partindo, outros sadios e sedentos.
Desmedidos, cortavam e  faziam coisas que amarravam no pescoço,
Sendo ameaçados, ameaçavam ser os seres de dentro.

Tudo mesmo, em pouco tempo...

Sentavam e torciam as bocas na desocupação do cérebro. 

Já sentados, despiam-se fazendo de tudo para sorrir. 

Assim parados, observavam o roxo e o cinza acima das pálpebras, 
esperando vagarosamente a tarde ir.

E por fim, desapaixonados, assistiam o último pedaço azul de céu 
naturalmente cair em terra.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Entre a fluidez e a motivação semanal

   Era uma terça, acordei muito tarde e me levantei tristemente em ressaca. Fui a janela para ver o dia, e o sol já batia de frente com o alto da minha cabeça, estava muito calor como sempre. Me voltei para o leito e sentei, olhei para o ambiente que estava uma bagunça. Dei um jeito nas minhas roupas que estavam jogadas nos quatro cantos do quarto, (as joguei, no guarda roupas) me sentia um lixo por não saber o que comi na janta do dia anterior, calcei um dos meus tênis, (o mais limpo deles) peguei minhas chaves e sai, estava com fome mas não tinha dinheiro. Minto, até tinha dinheiro, mas aceitei não comer e ter fome, para ficar ocioso na praça que havia na frente do apartamento. a praça da rodoviária. 
   Sentei no banco em meio às árvores, as sombras e o vento caloroso. eu estava em tempos tristes, e sentar em um banco para ver pessoas, me deixava insignificante. No bom sentido, eu não atrapalhava terceiros. Fiquei ali parado por umas duas horas vendo as pessoas passarem na pacata cidade da fornalha, estava realmente muito quente. Me levantei do banco e caminhei até a avenida atravessei olhando para baixo e entrei no apartamento. Voltei pra casa tomei um banho rápido, me enxuguei e deitei na cama ouvindo músicas aleatórias de um blues morto. fiquei por ali por um bom tempo e enfim me troquei. após uns vinte minutos arrumei minha mochila, colocando livros e cadernos sujos de um pseudo aprendizado acadêmico, canetas que sempre me esqueço e um pouco de preguiça. 
Peguei as chaves e sai de casa, tomei o ônibus quando já eram cinco da tarde, me sentei no primeiro lugar que encontrei vago e esperei. O ônibus andou por toda a cidade parando em todo ponto quente do percurso. Ao chegar na universidade sai andando pela calçada de entrada a passos de formiga, eu tinha muita fome naquela hora. Comecei a caminhar pela faculdade, encontrei um colega e papeamos, ele me ofereceu café de uma sala de pesquisa que ficava a esquerda do pátio principal, aceitei e tomei duas xícaras. 
Eram seis e meia e a fome já tinha passado...
  Fui pra sala de aula e sentei em um dos lugares de sempre, prestei alguma atenção e me desorientei... Desobjetificaçao, sono e estardalhaço mental... Foi tudo.
    No término do horário curricular, decidimos eu e alguns amigos ir para um dos bares da cidade. A noite parecia ensolarada, enquanto caminhávamos pelas ruas conversando sobre filmes e coisas sem sentido. Chegamos á um dos bares, no local encontramos um pessoal da faculdade com quem conversávamos nos arredores do campus. Todos se sentaram no chão da praça, que se conectava com a calçada do bar. Me sentei e bebi pinga, e vodka com algum tipo de suco. Eram mais ou menos 23:30 e eu estava sentado no chão de uma praça a alguns metros da porta do bar. Não estava chapado ainda, muito menos os semelhantes que formavam a roda. Conversamos sobre a vida, sobre prazeres sobre sexo, sobre música, sobre tanto acúmulo individual que nem cabe a mim descrever e diluir. Uma garota olhou pra mim, como se pedisse para eu retornar o olhar, quando percebi era a mesma com quem conversei sobre astrologia a algumas semanas atrás, uma tal Céu Azul. Enfim, todos continuam falando. Eu particularmente não falo muito, observo e ouço bastante, me desligando sozinho e conversando comigo mesmo pra tirar devidas conclusões precipitadas sobre minhas abstrações.
     A vodka me distraia em meio a minha pequenes, enquanto todos falavam sobre coisas legais que eu não provei e nem vou provar. Havia garotos e garotas, viagens e pensamentos todos de uma concepção tão única, que eu não conseguia me ver. Era inalcançável, ainda mais pra um cara sem ambição. Cortei mais dois dedos do copo de vodka, que descia como fogo, joguei no estômago, já esfomeado novamente, uma dose de pinga. Parei durante uns 10 minutos para sentir o queimar. Céu azul se levantou, era alta, tinha lábios bonitos. Ela foi ao banheiro e eu voltei pra mim. Dali a pouco ela então ela abriu a porta do banheiro, enxugou as mãos e se olhou no espelho. caminhando por trás do círculo falante ela se aproximou e se sentou do meu lado, bem perto. Ela não dizia nada e estava sem nenhum copo. então, timidamente lhe ofereci um pouco da minha bebida:
- Céu... quer um pouco? Pegue um pouco.
- Vou aceitar. Aliás, você é do primeiro período de história?
  Servi em um copo americano, dois dedos de vodka e 3 dedos de um suco de caixinha, se não me engano de laranja. Sem deixar cair, disse:
        - sim, estou me adaptando a cidade ainda, o primeiro período é duro, como esse chão de praça.
Ela tomou um gole, sorriu e disse:
- As pessoas aqui são acolhedoras, todo mundo se ajuda um pouco, a universidade é legal e abriga muita gente, como esse chão.
Eu ri, ela sorriu também.
    Nos olhamos durante um tempo, sem que nenhum dos dois se pronunciasse. Voltamos para si. 
Eu fui bem tímido e um tanto estranho a ponto de não dizer nada. Sobretudo ela olhava e sorria pra mim, no chão de uma praça em uma madrugada quente e escura de terça/quarta-feira na cidade mais amável da minha cabeça. 
    Ela me perguntou sobre musica e o que eu gostava de ouvir. então eu disse que passei parte do dia ouvindo blues. Ela sorriu, e acanhada, ela brilhou em segundos inesquecíveis sob o meu olhar. descrevendo seu gosto peculiar. Eu ouvi. Ela terminou, sorriu pra mim e se aproximou. Então, segurei sua mão, me aproximei dos lábios limpo e naturais e a beijei em especifico bem debaixo da orelha. 
Ao me afastar, olhei subjetivamente em seus olhos para que ela sorrisse novamente.
Me desliguei. 
   Contudo me sobraram resquícios de percepção. Eu era nada no início da tarde. porém, naquele exato momento eu era um motivo, e a tristeza já não era tão sólida. 
   Nos levantamos e caminhamos pelos gramados secos da praça. Chegamos onde tínhamos que chegar e paramos, ela me beijou o rosto e depois a boca. 
    Toda minha insignificância adormecia enquanto compartilhávamos acúmulos individuais e coisas particularmente inalcançáveis, entre nós e com o mundo.

domingo, 12 de junho de 2016

Tinta e coração

"Quando vejo essa pintura me da angústia, é como uma perseguição ou um encurralamento que pretende nos fechar por dentro."
Senhorita do violão.


(Arte é algo extremamente subjetivo, então, visualize, ouça e sinta a arte por sua percepção, que é unica e infinita.)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sobre a Bebida e a ausência

Sem ternura 
os olhos escorregam,
julgam e convidam a bebida. 
Sorridente e farta, 
vive dançante entre os sedentos a mesa. 
Sintomática, sensualiza na boca, 
queimando no estômago
fazendo parir 
novidades e entrelinhas, 
que me sugam e me subjugam 
quando deslizo a caneta, 
com o que sai 
de dentro do espelho.
Difundindo em papéis usados 
o que não se perde
dos olhos ausentes 
e inflamados.

As vozes da cidade

Virar a cada esquina, 
sentar na próxima sarjeta.
Isso é o que se faz 
e o que se deixa de fazer, 
nas veredas da cidade problema. 
Onde tudo é muito simples,  
rugidos dizem tristeza, 
trovões cantam 
e tudo bem. 

Sobre os sussurros 
do município, 
o genocídio 
do indivíduo 
trucida as multidões. 
Constantemente submetidas, 
á luzes que se 
distorcem 
e sapatos, 
que sufocam 
frágeis enfermos.