segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mais quente que o sol

Abaixo da nuvem cinza. 
Acima da grama verde. 
Estirada em suas proporções. 
Banhada, pelo calor do sol escondido. 

A parte mais viva, 
de um sonho.
Tão viva, 
que me põe a escrever, 
o fascínio de sua descrição.

Mais verde que a grama. 
Mais cinza que a nuvem. 
Mais quente que o sol.
Flutuante em meus pensamentos.


sábado, 25 de junho de 2016

Há sempre sobras, sobre pele

Há mais de ti
na minha 
pele.
Sempre
pálida, 
lírica 
e sórdida. 
vai de pelo 
a derme seca,
tateando
sobre a crosta 
amarga, 
que ainda assim,
se encontra 
quente e fresca.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Caminhadas e afazeres

   À luz está apagada mas mesmo assim enxergo todo o meu quarto, que anda sujo e mal aproveitado. Tem cadernos, livros e folhas no chão, dois copos semi vazios ao lado da janela, uma toalha pendurada na vidraça e roupas espalhadas ao redor da cama.
  Não durmo muito bem a alguns dias, sinto que meu corpo não vai aguentar, cedendo a complicações e resfriados.
  Com dores de cabeça me levanto e vou me esgueirando até porta, tateando as coisas que tropeço. Quero água e noto que esqueci o copo, volto e então me aproximo da cama me apoiando nela, abaixo a coluna dolorida de jovem, pego o copo e volto a me direcionar para a cozinha.
   Caminhando descalço pelo apartamento sinto o chão gelado, os pelos em arrepios e as enchaquecas fora de hora. Tudo que me contorna de forma unica as paredes brancas, as dobradiças da porta do banheiro tudo me acerta.  
   Chego na cozinha despejo o pouco de água que havia no copo e o encho novamente, a torneira está molhada e as dores de garganta me cercam de novo. Assim, enquanto bebo da água, percebo que amanhã terei de me reconstruir.
   Parado na cozinha, apoio meu corpo sobre a pia e me disperso, fico pendurado entre o estar e o não estar. Em outro mundo, começo a ouvir de tudo, como se tivesse assistindo sem ver... Os cachorros latem uns para os outros na rua, na esquina o motociclista buzina para alertar que está passando pelo sinal vermelho e o taxista no acostamento bate à porta do carro. Eu os escuto densamente, enquanto bebo do copo d'água.
  Com o copo na mão, caminho de novo para o quarto, com as mesmas enchaquecas e pelos arrepiados, observo a luz do corredor que está quente e acesa, chego na entrada do quarto e percebo olhando a porta semi aberta, que onde me deitava na cama, não caibo mais. 
  De bruços suas pernas se encontram sobrepostas umas as outras, um dos braços à beirada do colchão, envolto pelo lençol que cobre a parte inferior da costas. Estava à tomar o meu lugar e eu nada ouso fazer. 
   Deixo a porta aberta para enxergar melhor o quarto e caminho até o lado direito da cama. Me sento no chão em cima de uma blusa de frio, dobrando as pernas e me recostando na parede. 
   Então, me perco de novo, me penduro entre o ser e o não ser. Me desligo e não ouço nada que não fosse daquele quarto. Ouço o vento passando pela janela, o som do computador carregando, o barulho da cama, enquanto ela se mexe. 
   Nada me escapa.
   Dela, nada escapou... Peguei de tudo, a respiração, o som dos braços ao se roçarem... Consegui até ouvir seu coração, enquanto ela caminha para onde eu não consigo alcançar. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Aquela noite

Naquela noite,
o trovão, mexeu com a minha cabeça. 
A chuva não passava, 
as gotas d'água, esmuravam a janela.
O som dos carros, me atormentava. 

A quilômetros de distância, 
os passos 
me seguiam. 
Em pouco tempo, 
fui de homem a gelatina.

Naquela noite, 
você não estava lá.
Naquela noite, 
  ninguém podia fazer nada. 
Naquela noite, 
meu coração descansava, 
o chão era gelado     
e a dor simplesmente
                   não passava                       

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Poderes potenciais

O universo seu, lhe foi destituído assim.
Até que a luz se apague o corpo dança
em formigamentos 
esperando meu estrago.
O vazio gera o cheio
e tudo se torna enorme.
As cores sangram aquarelas selvagens. 
O frio na barriga se distorce aos olhos dopados
que serpenteia sobre as frequências da física corporal,
pulverizando todo o orgasmo potencial. 

Sabe o que está acontecendo..?

Sei que estou com você agora.

A noite comporta os seres
soltos e largados nas imensidões
do alvorecer perdido.
Sentindo, tossindo e gemendo 
no oceano de vidas frágeis 
em que mergulham os desnaturados. 
Beleza nua a crua
sobre carne e estrelas.
O arco-íris se desfaz...

O que está pensando ?

Acho, que de alguma forma te sinto...

A madrugada se fecha e o sono 
comporta os sonhos e as faíscas de um dia comum.

Garota de Ouro

Ela nasceu 
do ventre da solidão. 
Todos sentem 
o que ela sente.
O frio e o calor. 
O ódio e o amor. 
Sua sede deformava a informalidade...
Os sentimentos 
formados de sobras,
alma pesada 
em contato com a sombra, 
saliva ardente 
como a água do mar. 
Coração imprevisível,
belo e incomparável. 
Ela, 
incandescente garota de fogo. 
A amada, 
intocável menina de ouro.

O céu e a arvore do mês de maio

Maio, feito o marco de um dia dissimulado qualquer. 
Friccionado entre flores e desamores 
de uma tarde que já não era dia.
O sol descia, o  mundo girava e os filhos dos filhos caiam desolados, 
portando entre si os olhos que deslumbravam 
as cores tristes e  a árvore fixa.
No tempo uns partindo, outros sadios e sedentos.
Desmedidos, cortavam e  faziam coisas que amarravam no pescoço,
Sendo ameaçados, ameaçavam ser os seres de dentro.

Tudo mesmo, em pouco tempo...

Sentavam e torciam as bocas na desocupação do cérebro. 

Já sentados, despiam-se fazendo de tudo para sorrir. 

Assim parados, observavam o roxo e o cinza acima das pálpebras, 
esperando vagarosamente a tarde ir.

E por fim, desapaixonados, assistiam o último pedaço azul de céu 
naturalmente cair em terra.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Entre a fluidez e a motivação semanal

   Era uma terça, acordei muito tarde e me levantei tristemente em ressaca. Fui a janela para ver o dia, e o sol já batia de frente com o alto da minha cabeça, estava muito calor como sempre. Me voltei para o leito e sentei, olhei para o ambiente que estava uma bagunça. Dei um jeito nas minhas roupas que estavam jogadas nos quatro cantos do quarto, (as joguei, no guarda roupas) me sentia um lixo por não saber o que comi na janta do dia anterior, calcei um dos meus tênis, (o mais limpo deles) peguei minhas chaves e sai, estava com fome mas não tinha dinheiro. Minto, até tinha dinheiro, mas aceitei não comer e ter fome, para ficar ocioso na praça que havia na frente do apartamento. a praça da rodoviária. 
   Sentei no banco em meio às árvores, as sombras e o vento caloroso. eu estava em tempos tristes, e sentar em um banco para ver pessoas, me deixava insignificante. No bom sentido, eu não atrapalhava terceiros. Fiquei ali parado por umas duas horas vendo as pessoas passarem na pacata cidade da fornalha, estava realmente muito quente. Me levantei do banco e caminhei até a avenida atravessei olhando para baixo e entrei no apartamento. Voltei pra casa tomei um banho rápido, me enxuguei e deitei na cama ouvindo músicas aleatórias de um blues morto. fiquei por ali por um bom tempo e enfim me troquei. após uns vinte minutos arrumei minha mochila, colocando livros e cadernos sujos de um pseudo aprendizado acadêmico, canetas que sempre me esqueço e um pouco de preguiça. 
Peguei as chaves e sai de casa, tomei o ônibus quando já eram cinco da tarde, me sentei no primeiro lugar que encontrei vago e esperei. O ônibus andou por toda a cidade parando em todo ponto quente do percurso. Ao chegar na universidade sai andando pela calçada de entrada a passos de formiga, eu tinha muita fome naquela hora. Comecei a caminhar pela faculdade, encontrei um colega e papeamos, ele me ofereceu café de uma sala de pesquisa que ficava a esquerda do pátio principal, aceitei e tomei duas xícaras. 
Eram seis e meia e a fome já tinha passado...
  Fui pra sala de aula e sentei em um dos lugares de sempre, prestei alguma atenção e me desorientei... Desobjetificaçao, sono e estardalhaço mental... Foi tudo.
    No término do horário curricular, decidimos eu e alguns amigos ir para um dos bares da cidade. A noite parecia ensolarada, enquanto caminhávamos pelas ruas conversando sobre filmes e coisas sem sentido. Chegamos á um dos bares, no local encontramos um pessoal da faculdade com quem conversávamos nos arredores do campus. Todos se sentaram no chão da praça, que se conectava com a calçada do bar. Me sentei e bebi pinga, e vodka com algum tipo de suco. Eram mais ou menos 23:30 e eu estava sentado no chão de uma praça a alguns metros da porta do bar. Não estava chapado ainda, muito menos os semelhantes que formavam a roda. Conversamos sobre a vida, sobre prazeres sobre sexo, sobre música, sobre tanto acúmulo individual que nem cabe a mim descrever e diluir. Uma garota olhou pra mim, como se pedisse para eu retornar o olhar, quando percebi era a mesma com quem conversei sobre astrologia a algumas semanas atrás, uma tal Céu Azul. Enfim, todos continuam falando. Eu particularmente não falo muito, observo e ouço bastante, me desligando sozinho e conversando comigo mesmo pra tirar devidas conclusões precipitadas sobre minhas abstrações.
     A vodka me distraia em meio a minha pequenes, enquanto todos falavam sobre coisas legais que eu não provei e nem vou provar. Havia garotos e garotas, viagens e pensamentos todos de uma concepção tão única, que eu não conseguia me ver. Era inalcançável, ainda mais pra um cara sem ambição. Cortei mais dois dedos do copo de vodka, que descia como fogo, joguei no estômago, já esfomeado novamente, uma dose de pinga. Parei durante uns 10 minutos para sentir o queimar. Céu azul se levantou, era alta, tinha lábios bonitos. Ela foi ao banheiro e eu voltei pra mim. Dali a pouco ela então ela abriu a porta do banheiro, enxugou as mãos e se olhou no espelho. caminhando por trás do círculo falante ela se aproximou e se sentou do meu lado, bem perto. Ela não dizia nada e estava sem nenhum copo. então, timidamente lhe ofereci um pouco da minha bebida:
- Céu... quer um pouco? Pegue um pouco.
- Vou aceitar. Aliás, você é do primeiro período de história?
  Servi em um copo americano, dois dedos de vodka e 3 dedos de um suco de caixinha, se não me engano de laranja. Sem deixar cair, disse:
        - sim, estou me adaptando a cidade ainda, o primeiro período é duro, como esse chão de praça.
Ela tomou um gole, sorriu e disse:
- As pessoas aqui são acolhedoras, todo mundo se ajuda um pouco, a universidade é legal e abriga muita gente, como esse chão.
Eu ri, ela sorriu também.
    Nos olhamos durante um tempo, sem que nenhum dos dois se pronunciasse. Voltamos para si. 
Eu fui bem tímido e um tanto estranho a ponto de não dizer nada. Sobretudo ela olhava e sorria pra mim, no chão de uma praça em uma madrugada quente e escura de terça/quarta-feira na cidade mais amável da minha cabeça. 
    Ela me perguntou sobre musica e o que eu gostava de ouvir. então eu disse que passei parte do dia ouvindo blues. Ela sorriu, e acanhada, ela brilhou em segundos inesquecíveis sob o meu olhar. descrevendo seu gosto peculiar. Eu ouvi. Ela terminou, sorriu pra mim e se aproximou. Então, segurei sua mão, me aproximei dos lábios limpo e naturais e a beijei em especifico bem debaixo da orelha. 
Ao me afastar, olhei subjetivamente em seus olhos para que ela sorrisse novamente.
Me desliguei. 
   Contudo me sobraram resquícios de percepção. Eu era nada no início da tarde. porém, naquele exato momento eu era um motivo, e a tristeza já não era tão sólida. 
   Nos levantamos e caminhamos pelos gramados secos da praça. Chegamos onde tínhamos que chegar e paramos, ela me beijou o rosto e depois a boca. 
    Toda minha insignificância adormecia enquanto compartilhávamos acúmulos individuais e coisas particularmente inalcançáveis, entre nós e com o mundo.

domingo, 12 de junho de 2016

Tinta e coração

"Quando vejo essa pintura me da angústia, é como uma perseguição ou um encurralamento que pretende nos fechar por dentro."
Senhorita do violão.


(Arte é algo extremamente subjetivo, então, visualize, ouça e sinta a arte por sua percepção, que é unica e infinita.)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sobre a Bebida e a ausência

Sem ternura 
os olhos escorregam,
julgam e convidam a bebida. 
Sorridente e farta, 
vive dançante entre os sedentos a mesa. 
Sintomática, sensualiza na boca, 
queimando no estômago
fazendo parir 
novidades e entrelinhas, 
que me sugam e me subjugam 
quando deslizo a caneta, 
com o que sai 
de dentro do espelho.
Difundindo em papéis usados 
o que não se perde
dos olhos ausentes 
e inflamados.

As vozes da cidade

Virar a cada esquina, 
sentar na próxima sarjeta.
Isso é o que se faz 
e o que se deixa de fazer, 
nas veredas da cidade problema. 
Onde tudo é muito simples,  
rugidos dizem tristeza, 
trovões cantam 
e tudo bem. 

Sobre os sussurros 
do município, 
o genocídio 
do indivíduo 
trucida as multidões. 
Constantemente submetidas, 
á luzes que se 
distorcem 
e sapatos, 
que sufocam 
frágeis enfermos.